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Mar de Rosas

Por Leonardo Rocha Fernandes e Henrique Rocha Fernandes - Agentes de Investimento - Postado em 18/01/2010
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A vida definitivamente não é um mar de rosas.
A vida definitivamente não é um mar de rosas. "Mar de rosas", segundo se aprende no
Dicionário Houaiss, é uma expressão nascida na Marinha de Guerra com significado de
mar sereno, bom de navegar. Mas, infelizmente, não é sempre assim. O investimento em
ações é definido como um investimento em renda variável em que as cotações podem
subir, mas também podem, eventualmente, descer. Nesta semana não navegamos por um
mar de rosas, alguns espinhos espetaram os investidores deixando-os mais receosos em
relação a essas oscilações da bolsa. O Ibovespa encerrou a semana com queda de 1,83%
cotado aos 68978 pontos.
Mas quais foram estes espinhos?
Digamos que o mercado trabalhava com a expectativa de receber um belo bouquet de
rosas dos dados econômicos americanos. Pelo jeito, o país ainda não saiu do deserto
e os dados vieram como um belo cactus! A largada da temporada de balanços nos EUA
frustrou as expectativas e abateu o mercado colocando em dúvida os números
corporativos que ainda estão por vir. Outro ponto que atrapalhou foi que os
norte-americanos decidiram se conter nas compras de natal, o que resultou em uma
queda nas vendas no varejo de 0,3% em dezembro, contrariando as expectativas de
aumento de 0,5%; adicionalmente, os estoques das empresas dos EUA cresceram pelo
segundo mês consecutivo em novembro, mostrando que está difícil vender produtos na
América capitalista; o mercado de trabalho também mostrou fraqueza, com um aumento
nos pedidos de auxílio-desemprego, enquanto analistas previam queda; por fim, na
sexta-feira o índice que mede a confiança do consumidor refletiu todos estes demais
dados, ficando abaixo do esperado, num sinal de que os americanos ainda tem dúvidas
quanto a saúde de sua economia. A China também não ajudou nesta semana. Por lá, o BC
chinês decidiu elevar novamente o juro no mercado interbancário e aumentar o
compulsório bancário em 0,5%, numa tentativa de diminuir as preocupações com o
superaquecimento da economia, ou seja, usaram daquele velho método, muito conhecido,
aumentar juros pra conter a inflação.
Estes momentos de baixa e de indicadores ruins certamente nos trarão certa
preocupação neste ano de 2010, até termos certeza de que as economias tenham se
recuperado e entrado em uma nova trajetória de alta. Com toda a crise econômica que
passamos os governos tiveram de intervir nas economias provendo liquidez e
sustentação a estas. É como se uma pessoa tivesse passado por um acidente e
precisasse de uma bengala para conseguir andar durante um tempo até voltar a
caminhar normalmente. Muitas medidas foram tomadas no sentido de facilitar e
incentivar compras, concessão de crédito, isenções fiscais a setores, além dos
próprios gastos governamentais. Isso tudo teve como propósito injetar dinheiro na
economia e servir como bengala até que esta se recuperasse. A dúvida agora é quando
retirar essa bengala sem que o paciente leve um tombo! Ao menos por hora isso não
será tão breve como alguns previam.
De qualquer forma, por aqui (economia interna) a realidade parece ser outra, com
nossa economia navegando sobre um mar mais tranqüilo. Não sei se pode ser
considerado um mar de rosas, mas ainda assim temos necessitado muito pouco de
qualquer tipo de bengala.